| "A Dieta Gradual" Em novebro de 2009, o NEW ENGLAND JOURNAL OF MEDICINE estampou a foto de dois macacos em sua capa. Um dos macacos era jovem, sorridente, ágil e cheio de vida. O outro era velho, cabisbaixo, lento e já caindo pelas tabelas. A surpresa: os dois macacos tinham exatamente a MESMA idade! Sim, um estava mais jovem (bem mais jovem) e o outro estava mais velho. Mas... como isso é possível??? A diferença entre um e outro está no QUANTO um e outro comeu ao longo da vida. Conforme afirmou essa pesquisa apresentada no NEW ENGLAND JOURNAL OF MEDICINE, "respeitados os limites da desnutrição, a expectativa máxima de vida é inversamente proporcional ao número de calorias ingeridas diariamente". Trocando em miúdos: o que comeu mais, envelheceu mais. E o que comeu menos, envelheceu menos... no mesmo espaço de tempo. Ao que tudo indica, a partir das pesquisas com animais, uma dieta de restrição calórica, não só prolonga a vida, como também retarda - ou mesmo impede - o aparecimento de doenças degenerativas e metabólicas. E isso não tem especialmente a ver com o QUE se come, mas com o QUANTO se come. O interessante nessa experiência feita com macacos é que foram divididos em 3 grupos. O primeiro grupo se alimentava de uma ração livremente, podendo ingerir quanto quisesse. O segundo grupo se alimentava da mesma ração, só que com uma quantidade necessária, apenas o essencial. O terceiro grupo era variável, a quantidade da ração ora era racionada, ora era liberada a vontade. O resultado: o grupo que se alimentou sempre com a ração controlada envelheceu muito menos que os outros dois. Foram registradas diferenças marcantes no tocante a flexibilidade fisica, músculos, saúde do coração, artérias, visão, saúde da pele e dos pelos, cérebro, capacidade cognitiva, etc. O grupo variável provou que é mais saudável REDUZIR GRADUALMENTE A QUANTIDADE DE COMIDA INGERIDA do que diminuí-la de uma hora pra outra (as duas opções foram tentadas na experiência). O organismo lida mal com mudanças bruscas na alimentação. A idade dos macacos é de 25 anos (tempo que a pesquisa vinha sendo feita), o que equivale mais ou menos a um ser-humano de 60 anos. Outra dado digno de nota é que a qualidade da comida era a mesma! Ou seja, não era um grupo comendo porcaria e outro comendo comida saudável. Os dois grupos comiam a mesma comida, só mudava a quantidade. Daí a máxima: "respeitados os limites da desnutrição, a expectativa máxima de vida é inversamente proporcional ao número de calorias ingeridas diariamente" (mas claro que se a alimentação for saudável ajuda, pois uma das outras descobertas é que quando se aumenta a glicose na alimentação, o envelhecimento se acelera). No entanto, não devemos tirar conclusões precipitadas... afinal, tá escrito alí acima : "respeitados os limites de desnutrição"! Quer dizer... se comer APENAS porcaria, o resultado pode ser desastroso da mesma forma. A boa notícia é que não precisamos comer apenas comida saudável. Se conseguirmos um equilíbrio entre o que é saudável e o que não é, mas nos mantermos comendo em pequena quantidade, os benefícios pra saúde podem ser atingidos. O que se sabe, com certeza, é que a redução da ingestão calórica induz uma série de alterações metabólicas favoráveis, como por exemplo, aumentar a resistência ao stress, a doenças cardiovasculares e ao câncer. Péra aí, alguém falou em exercício físico? O que uma pesquisa com ratos de laboratório publicada na revista NATURE mostrou é que o exercício físico ajuda na manutenção da saúde, mas não tem um efeito tão forte no tocante a longevidade. Ratos que faziam exercício (naquela rodinha que gira, gira, mas não leva a lugar nenhum) viviam melhor, mas não muito mais tempo do que os ratinhos sedentários. A restrição de alimentos ainda é muito mais decisiva para a longevidade. Outra conclusão interessante: os efeitos maléficos da ingestão excessiva de alimentos foi mais grave justamente nos tecidos que não se renovam no corpo humano: músculos, cérebro e coração. É importante saber também que as dimensões dos órgãos internos guardam relação direta com a quantidade de alimento ingerido. Quanto maior a quantidade absorvida na alimentação, maior é o peso do coração, fígado, rins, próstata, baço, músculos e dos gânglios linfáticos envolvidos na resposta imunológica. E as células? Sabia que todos elas se alimentam? Quanto mais alimento ingerimos mais elas engordam, seu poder de seleção é quase nenhum. Você comeu algo, ela se alimenta (tipo peixinho de aquário). Até aí parece óbvio. Mas o que um estudo na revista SCIENCE mostrou é que quanto mais ela se alimenta e engorda, mais ela produz radicais livres para poder se manter funcionando. Mais radicais livres = aceleração do envelhecimento. É, minha gente, já pode ser dito que é certo que o envelhecimento esteja relacionado com a alimentação, particularmente quando populações longevas são estudadas - já existem boas razões para se dizer que uma dieta de baixa carga glicêmica pode estender a vida humana, ou pelo menos evitar a maioria das doenças associadas à velhice. Desde quando descobriu que acrescentando glicose à dieta de seus animais de laboratório diminuía o seu tempo de vida, a pesquisadora Cynthia Kenyon passou a adotar uma dieta de baixos carboidratos... ela deve saber o que faz! Com ou sem certezas absolutas sobre o que é uma quantidade saudável de comida que se deve comer, ou sobre o que, como e quando se deve comer, o que já se pode afirmar é que exageros não são saudáveis, e que eliminar alimentos processados, açúcares e carboidratos refinados só irá fazer bem! Baseado nos resultados da pesquisa com os macacos, o doutor Scott Turlington, na Suécia, já elaborou um programa de redução de quantidade de alimento ingerida que leva em média dois anos (isso mesmo, dois anos) até a pessoa estar consumindo a quantidade necessária. Por que dois anos? Ora, não foi dito que as mudanças na alimentação devem ser GRADUAIS? Essa talvez seja a melhor noticía! Ninguém precisa abdicar hoje das comilanças adoradas, é só ir diminuindo AOS POUQUINHOS a quantidade consumida. Então não é a toa que o nutricionista norte-americano, Dr Stanley Bass, há anos insiste na "fórmula perfeita para emagrecer": comer apenas 2/3 do que se comeria normalmente a cada refeição. É, isso mesmo, saia de mesa com um tiquinho de fome. O resultado da pesquisa com os macacos já está gerando uma nova dieta, que está sendo apelidada de "A Dieta Gradual". A moda agora é emagrecer AOS POUCOS, emagrecer muito rápido virou cafona e anti-saudável!! Oba, tô nessa!! Talvez não esteja em forma pro verão de 2011, mas com certeza estarei em forma pro verão de 2013. Um abraço Dermeval |
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